Portugal como referência na sustentabilidade organizacional

14 Abr 2022
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Com o acelerar da digitalização durante a pandemia, a empresa portuguesa especializada em Asset & Facility Management NextBITT duplicou o seu crescimento, quer em termos de facturação, quer de equipa. Miguel Salgueiro, founding partner, explica à Smart Cities como a tecnologia desenvolvida pela empresa tem ajudado as organizações a reduzir a sua pegada carbónica. Convicto de que Portugal tem “fortes possibilidades de estar na linha da frente europeia” nesta matéria, o gestor defende a criação de uma área de “Sustentabilidade” para o novo Governo e uma “política para a implementação acelerada de projectos” nos diversos sectores.

Como avalia a forma como os ecossistemas organizacionais em Portugal olham para a temática da sustentabilidade?

A sustentabilidade, o novo digital das organizações, tem vindo a criar uma forte dinâmica, uma cultura cada vez mais ambiental, toda uma nova estratégia nas diferentes indústrias, tendo por base o ESG – Environmental, Social and Governance.

Este [é um] novo paradigma para as empresas [que] ao abrigo da legislação publicada na comunidade europeia estão sujeitas à obrigação de publicar uma “demonstração não financeira”, com evidências dos dados no relatório de sustentabilidade, oriundos [por exemplo] das ligações de sensores à tecnologia NextBITT, desenvolvendo boas práticas empresariais orientadas para a utilização racional, eficiente e sustentada dos recursos, onde a implementação e manutenção do SGA – Sistema de Gestão Ambiental é crucial.

Acredito que Portugal tem fortes possibilidades de, nos próximos anos, estar na linha da frente da Europa ao nível das boas práticas das organizações ao nível da sustentabilidade, tendo em conta que já existe um enorme número de empresas publicas e privadas, associações e consultoras, muito focadas neste tema, em que a tecnologia é o eixo de destaque na gestão da sustentabilidade.

Quais foram os efeitos da pandemia nessa área, no geral, e na vossa actividade, em particular?

A pandemia acelerou de forma abrupta o foco na digitalização das empresas. A NextBITT, em pandemia, mais do que duplicou o seu crescimento, quer em facturação, quer em equipa. De realçar que, pelo facto de termos vários clientes no sector da banca – sector este [que está] na linha da frente na adopção do ESG, com um forte compromisso para as evidências da neutralidade carbónica – originou igualmente um foco determinante para a nossa aposta na digitalização da sustentabilidade, também pelo facto da obrigatoriedade da mesma em toda a comunidade europeia.

A título de exemplo, o módulo SGA simplifica o cumprimento da conformidade ambiental e os relatórios de sustentabilidade em toda a organização numa visão top-down, desde os departamentos e infraestruturas até aos activos físicos. Esta solução garante a gestão do cálculo da pegada carbónica, com base em toda a informação de gestão de activos físicos: métricas de qualidade de energia, água, gás, combustíveis fósseis e rastreio de resíduos perigosos produzidos, bem como o ambiente interior dos edifícios.

O mercado nacional das smart cities tem vindo a consolidar-se. Como é que a NextBITT se posiciona nessa área e que oportunidades vêem associadas ao tema?

A NextBITT aposta na sustentabilidade para ser referência internacional em cinco anos. As cidades – para além dos milhares de activos físicos que já ajudamos a gerir diariamente nas maiores empresas – não são excepção para a nossa estratégia de contínuo crescimento. Acreditamos que a sustentabilidade vem ajudar igualmente a digitalização das cidades, tendo uma visão e gestão integradas dos seus territórios, ao nível dos consumos de água, luz, gás, gestão e resíduos, etc. O valor acrescentado da tecnologia NextBITT é que nativamente já congrega estas e outras valências, no que diz respeito à gestão do ciclo de vida útil dos activos físicos.

“Parece-me importante que sejam criadas estratégias de não dependência exclusiva de determinados produtos ou serviços. Gostava que toda esta incerteza que temos vindo a viver desse origem a uma Europa mais unida e coesa e que Portugal tivesse um papel importante nesta mudança.”

As vossas soluções podem ser aplicadas à Administração Pública local?

 

A [nossa] tecnologia aplica-se às diferentes indústrias, numa lógica de gestão de activos físicos. A nossa equipa tem vindo a desenvolver vários projectos que pretendem controlar os equipamentos e as instalações dos nossos clientes que se encontram dispersos geograficamente ou reunidos numa mesma instalação – quer no que diz respeito ao controlo de custos, quer na vertente operacional de disponibilidade e operação de cada equipamento.

Hoje, começamos a notar uma forte preocupação do Estado português com a gestão do seu património, o que, para a NextBITT, é uma excelente oportunidade para apoiar o Estado na adopção das boas práticas internacionais na gestão dos activos físicos.

Têm projectos no sector público?

A NextBITT tem alguns projectos no sector público, apesar de, nos últimos anos, a nossa aposta ter passado mais pelo sector privado. Acreditamos que, no ano de 2022, muito pela via de projectos de inovação ao abrigo do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), o Estado irá ter um forte desenvolvimento digital, melhorando processos.

Em matéria de gestão de activos com vista à sustentabilidade, o que poderia a Administração Pública local aprender com o sector privado e vice-versa?

Depois de estar definida a visão, no que refere à gestão cuidada do património do Estado – já algumas vezes referidas por diferentes líderes governamentais nos últimos anos, pois o teletrabalho também veio evidenciar uma necessidade de gerir à distância –, é preciso ter um cadastro cuidado do património. Aqui, o sector privado está um pouco mais avançado, pelo que se torna mais simples de replicar esta gestão no sector público, basta querer! Os edifícios são iguais no Estado ou no privado!

O contexto internacional veio dificultar uma retoma pós-pandemia. Que riscos e oportunidades vê na actual situação?

Nós temos vindo a viver na incerteza desde o início da pandemia; estamos a iniciar o terceiro ano desta situação trágica, mas não podemos desistir, [nem] baixar os braços. Temos de nos focar e unir, aproveitando, por vezes, algum impasse para melhorar as nossas organizações, os processos, agilizando e inovando.

Parece-me importante que sejam criadas estratégias de não dependência exclusiva de determinados produtos ou serviços. Gostava que toda esta incerteza que temos vindo a viver desse origem a uma Europa mais unida e coesa e que Portugal tivesse um papel importante nesta mudança.

Temos um novo Executivo. O que espera que seja feito para reforçar o tema da sustentabilidade tanto nas empresas, como no sector público?

Acredito que o novo Executivo tem excelentes condições para dinamizar o mais possível o tema da sustentabilidade no país. Tem lideranças jovens e experientes, atentas ao tema, que têm vindo a participar em acções de sensibilização para esta temática.

Parece-me importante que o Executivo passe a ter uma área de “Sustentabilidade”, tal como já acontece no sector privado, aumentando o foco e a sua dinâmica, assente numa visão e política comuns as todas as organizações. Aliás, basta replicar o que a comunidade europeia já legislou. O Executivo poderia ter uma política para a implementação acelerada de projectos de sustentabilidade, nos diferentes sectores, tornando Portugal uma referência europeia!

Fonte: Smart Cities

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