"As mulheres não devem duvidar das suas capacidades" - Ana Gama, CFO

22 Dez 2022
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Com 20 anos de experiência na área de gestão, Ana Gama é formada em Economia pelo ISEG e tem uma pós-graduação em Gestão pelo INDEG/ISCTE. Começou a carreira na Deloitte, em 2003, como consultora de gestão, tendo, posteriormente, integrado o Grupo Portugal Telecom, onde trabalhou durante 12 anos em diferentes áreas - Melhoria Contínua, Gestão de Projetos, Desenvolvimento de novos produtos e serviços e Transformação Digital, para segmentos B2C e B2B. Em 2018, Ana Gama integrou a Bizdirect onde assumiu a função de chief financial officer, liderando a Direção Financeira, RH, Qualidade, Internal IT, Gestão de Facilities, Operações e Marketing. Após a aquisição da Bizdirect pelo Grupo Claranet, em julho 2021, a executiva apoiou a gestão do processo de integração das empresas e, em janeiro de 2022, passou a assumir a liderança da Direção Financeira - Planeamento & Controlo de Gestão e Tesouraria da Claranet.

Há três meses, Ana Gama abraçou um novo desafio como chief financial officer da Nextbitt, empresa de software fundada em 2015 que fornece uma solução inovadora para otimizar a gestão de ativos físicos e simplificar o cumprimento da conformidade ambiental e dos relatórios de sustentabilidade. Em julho deste ano recebeu cinco milhões de euros do fundo Explorer Investments, numa ronda de investimento, com o intuito de acelerar o seu crescimento.

 

Estava na Bizdirect quando foi adquirida pela Claranet e participou no processo de integração das empresas. O que a levou a deixar a Claranet depois de cumprida essa missão?

 

Integrei a Bizdirect em 2018, ainda como Grupo Sonae, e em Julho de 2021, deu-se o processo de aquisição por parte da Claranet. Fazer a integração de pessoas, processos e sistemas de duas empresas com culturas e realidades tão distintas, sobretudo num período de pandemia e em modelo de trabalho remoto, foi um processo desafiante e exigente, mas felizmente correu muito bem, fruto do envolvimento e comprometimento de toda a equipa. já na Claranet, assumi a liderança de parte da direção financeira e ainda participei em mais um processo de integração de uma outra empresa adquirida, e quando estava a concluir este processo surge a oportunidade de integrar a Nextbitt.

Qualquer decisão de mudança profissional, a meu ver, não é tomada de forma imediata ou de ânimo leve, não só porque nos obriga a sair da zona de conforto, mas também porque implica uma predisposição para a readaptação a todo um novo contexto.

Sempre encarei novos desafios com muito entusiasmo e vi na Nextbitt uma possibilidade de conhecer e experiênciar uma realidade diferente daquela que conhecia (ambientes corporate e empresas/grupo de grande dimensão), e com isso poder continuar a crescer profissional e pessoalmente, que sempre foram os drivers para as mudanças que fiz ao longo da minha carreira. Acredito muito no potencial de crescimento nacional e internacional da Nextbitt e motivou-me o facto de poder contribuir de uma forma direta para o seu desenvolvimento, aplicar aqui o conhecimento que fui consolidando ao longo dos anos, ter uma participação mais ativa na gestão da empresa e na sua profissionalização.

 

Mudar de função, de empresa ou participar num processo de integração de empresas implica normalmente mais pressão e responsabilidade. O que considera fundamental para enfrentar esses momentos de transição?

 

A meu ver há um conjunto de fatores-chave, ou competências se assim quisermos chamar, que temos de ter interiorizadas para que as mudanças sejam bem sucedidas.

Primeiro, é necessário haver motivação para a mudança, pensar realmente se é algo que faz sentido. Sempre fiz um exercício que foi responder com verdade a perguntas que coloco a mim mesma, como: "vou sentir-me realizada?", "vou desenvolver competências?", "vou poder conhecer novas realidades, fazer diferente, inovar?", "estou preparada e sinto-me capaz de assumir o desafio?", "faz sentido na fase de vida/carreira em que me encontro?". Se as respostas forem "sim", então a mudança faz sentido!

Também considero que se aceitamos um novo desafio temos de nos comprometer, assumir compromisso com o mesmo, ou seja, temos de ter um interesse intrínseco em "fazer acontecer". entregar-nos e envolver-nos pessoalmente, sentir a empresa como "nossa", o que nos dá uma motivação acrescida de entregar mais e melhores resultados.

A resiliência, a meu ver, é também fundamental. Ter a capacidade de superar obstáculos e de lidar com situações mais adversas ou desafiadoras mantendo uma atitude positiva, confiante, segura e com a certeza de que no final do dia conseguimos atingir o objetivo a que nos propomos. E mesmo que não o consigamos atingir na totalidade ou no prazo que impomos, não entrar em espiral negativa e continuar com empenho e energia positiva a lutar e procurar formas de fazer mais e diferente.

É importantíssimo também criar empatia com as pessoas com quem lidamos diretamente, seja numa nova função ou nova empresa. Estar rodeada de pessoas otimistas, entusiastas, cooperantes, que nos desafiem e em que haja um alinhamento claro em termos de princípios e valores, é um fator crucial para manter a motivação e saber lidar com a pressão e responsabilidade dos desafios que vão surgindo.

 

A Nextbitt é a nova prioridade de Ana Gama

Quais as suas prioridades na Nextbitt?

 

As minhas prioridades estão alinhadas com a estratégia definida para a Nextbitt nos próximos anos: reforçar a posição no mercado nacional e internacionalizar. Queremos ser a referência nacional e internacional na área em que atuamos (Sustainable Asset Management) e para isso, para além de oferecer aos clientes uma solução tecnológica de excelência e dotada de funcionalidades inovadoras, temos de nos focar no desenvolvimento e crescimento interno da empresa e esse é o meu propósito.

Do ponto de vista financeiro, as minhas prioridades são garantir a viabilidade financeira da Nextbitt através de uma gestão eficiente e sustentável, identificar as principais alavancas de crescimento e fazer a monitorização recorrente do desempenho. Adicionalmente, as prioridades passam também por assegurar a profissionalização dos nossos processos internos, reforçar a equipa e ter uma grande visibilidade e proximidade ao negócio e às pessoas. Pretendo olhar holisticamente para a empresa, entender as suas necessidades e identificar e implementar as iniciativas que mais façam sentido para atingirmos os nossos objetivos.

 

Que qualidades e competências considera essenciais para ser uma boa profissional na sua área?

 

Para além do que já referi acima (compromisso, resiliência, empatia), julgo que características como integridade, bom senso, transparência, energia positiva e humildade são fundamentais. Destaco ainda ter boas competências de comunicação, foco, capacidade de trabalho e de entrega, sobretudo sob pressão, proatividade e curiosidade.

E finalmente, e talvez o mais importante, ter foco nas pessoas que são o ativo mais importante de qualquer empresa: saber ouvir, respeitar e compreender as suas necessidades e ajudar a encontrar soluções - para ser boa profissional é importante ter uma excelente equipa e excelentes líderes.

Posso afirmar que ao longo do meu percurso, incluindo agora na Nextbitt, tive a sorte de conhecer e lidar com profissionais de excelência: equipas muito dinâmicas, proativas e com imenso know-how com quem pude e posso aprender muito, e com lideres inspiradores/as que me incutiram e incutem uma atitude positiva, motivação, ambição e desafio constante, e que contribuíram (e contribuem) claramente para a pessoa e profissional que sou hoje.

 

O maior desafio é a conciliação entre carreira e família

Qual a parte mais desafiante da sua função?

 

A minha função exige bastante dedicação, foco e responsabilidade, que se traduz muitas vezes em jornadas de trabalho longas e nem sempre é fácil conciliar a vida profissional e pessoal - acho que este equilíbrio entre carreira e família sempre foi o meu maior desafio.

Sou profissional, sou mãe e sou mulher e é importantíssimo equilibrar estes três papéis porque é o que me permite manter o equilíbrio e estabilidade emocional. Para isso tento fazer uma boa gestão de prioridades e de tempo, ainda que possa haver fases em que algum destes "papéis" pode exigir mais dedicação do que o outro. E felizmente conto com uma rede de apoio sólida, sejam lideres, equipa, família, amigos e apoio logístico.

 

O que diria a uma mulher que quer fazer carreira na sua área?

 

Gostava de poder responder sem qualquer hesitação que diria o mesmo que diria a um homem, mas sei que a realidade em muitas organizações e contextos ainda não é totalmente igualitária.

Assim, diria que uma mulher deve trabalhar a sua autoconfiança, acreditar em si própria e não duvidar das suas capacidades, não ter receio de expressar a sua opinião, ter obviamente as competências técnicas necessárias para a função que for assumir mas apostar bastante no desenvolvimento das suas competências pessoais. Ter um propósito e delinear o caminho para o atingir, com a coragem e humildade de pedir ajuda sempre que sentir necessidade.

E não descurar de si própria, estar atenta e cuidar de si, tirar tempo para si e garantir o seu equilíbrio físico e emocional.

 

Fonte: Executiva

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